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Fórum de Bushcraft e Técnicas de Sobrevivência
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Os Hor√°rios s√£o TMG [ DST ]




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MensagemEnviado: domingo mai 27, 2012 5:48 pm 
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Partilho convosco, um trabalho que realizei no ambito da faculdade (licenciatura em Psicologia), onde relacionei a famosa regra dos três com os sistemas motivacionais. Não é nada de novo, ou de muito transcendente, mas é interessante perceber os mecanismos que estão por detrás de uma regra que aparenta ser simples.

Todas as sugest√Ķes e cr√≠ticas s√£o muito bem vindas!

“A regras dos 3 na sobrevivência: 3 segundos sem atenção é o suficiente para poder acontecer uma situação que poderia ser evitável; 3 minutos sem ar é o tempo médio que o ser humano pode aguentar sem respirar; 3 horas exposto é o tempo médio que o ser humano leva a sentir os efeitos dos elementos, 3 dias sem água é o tempo médio que o homem pode conseguir aguentar sem consumir água e 3 semanas sem comida é o tempo médio que o ser humano consegue aguentar sem comer.

A origem da ‚ÄúRegra dos 3 na sobreviv√™ncia‚ÄĚ √© desconhecida, no entanto esta regra tem vindo a ser muito difundida e divulgada atrav√©s de v√°rios manuais de sobreviv√™ncia, de cursos especializados, instru√ß√Ķes militares, programas de televis√£o, etc. Provavelmente at√© pode ter sido criada a partir da tradicional divulga√ß√£o de ‚Äúboca em boca‚ÄĚ, n√£o obstante, o seu car√°cter informativo √© muito importante e pode fazer a diferen√ßa numa situa√ß√£o pr√°tica de sobreviv√™ncia. Independentemente da atividade que esteja em pr√°tica (campismo, passeio no mato, opera√ß√Ķes militares, entre outros) esta regra ajuda a ponderar a situa√ß√£o real e a estabelecer prioridades de modo a conseguir assegurar a sobreviv√™ncia.

A regra dos 3 pode ser encarada por uma perspetiva totalmente motivacional, j√° que para respeitar a mensagem que transmite, o sujeito tem que estar, sobretudo, motivado para sobreviver, tendo em conta as condi√ß√Ķes em que se encontra. Num cen√°rio de emerg√™ncia, a motiva√ß√£o √© a componente principal, j√° que √© a for√ßa que levar√° o indiv√≠duo a conseguir transpor as barreiras necess√°rias, chegando mesmo a poder ultrapassar limites f√≠sicos ou psicol√≥gicos moderados pela motiva√ß√£o. Esta regra √© um bom exemplo porque numa situa√ß√£o de sobreviv√™ncia, os seus constituintes s√≥ conseguem ser respeitados se o sujeito estiver motivado para o fazer.

A motiva√ß√£o pode ser definida como 'Mecanismos internos que ‚Äúenergizam‚ÄĚ e dirigem o comportamento (facilitando ou inibindo-o)', ou 'Estado interno que predisp√Ķe para o comportamento, o qual pode dirigir-se a algo que se deseja ou a afastar-se de algo indesejado', estando, assim, associada a 2 diferentes componentes:
1) Objetivos (goal): Aquilo que as pessoas querem alcançar (ou evitar);
2) Intensidade: Quão forte é o interesse em alcançar (ou evitar) o objetivo.

Este exemplo pode guiar-nos na explica√ß√£o da teoria Aproxima√ß√£o ‚Äď Evita√ß√£o. A proposta de Kurt Lewin (1935) com a teoria de campo reflete a motiva√ß√£o como um conjunto de for√ßas que acompanham val√™ncias positivas e negativas, sendo que, estas val√™ncias habitualmente emergem das necessidades do organismo, explicando que a tend√™ncia na aproxima√ß√£o ou evita√ß√£o ser√° de modo a satisfazer as necessidades.

Articulando com a Regra dos 3, é a necessidade de água ou comida que nos motiva a procurar estes elementos de modo a satisfazer os pedidos do organismo, logo, vamos exibir comportamentos de aproximação destes estímulos até que a sua necessidade esteja satisfeita. De modo a salvaguardar o corpo da exposição prolongada a uma condição temporal extrema, o nosso organismo vai comunicar a necessidade de evitar os estímulos negativos consequentes (frio, calor, chuva, etc…), portanto, vai criar a motivação precisa para o mecanismo de evitação entrar em funcionamento, o que nos fará procurar por um abrigo ou construir um. A regra dos 3 minutos sem ar (eg. estar submerso) está relacionada com uma das necessidades mais básicas, o respirar, que vai motivar o individuo para se aproximar de uma condição em que possa satisfazer essa necessidade, assim como, motivará o individuo a evitar uma situação em que não tenha essa necessidade assegurada. Por fim, a regra dos 3 segundos sem atenção motiva o indivíduo a estar atento, no sentido em que pode desencadear processos de afastamento ou de evitação com a rapidez que a situação solícita, e assim responde de uma forma mais rápida aos estímulos, sejam positivos ou negativos. "


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MensagemEnviado: segunda mai 28, 2012 12:48 pm 
Photographus Africanus
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a instrumentalidade das ac√ß√Ķes √© muitas vezes esquecida e tenho-a como determinante do comportamento, tanto ou ou mais que a val√™ncia (nesse exemplo a intensidade), ou a expectativa.

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MensagemEnviado: segunda mai 28, 2012 2:05 pm 
O tipo dos bonecos
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vroom?
l√° t√° ele a puxar a conversa para as motas.

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MensagemEnviado: segunda mai 28, 2012 8:11 pm 
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a instrumentalidade das ac√ß√Ķes √© muitas vezes esquecida e tenho-a como determinante do comportamento, tanto ou ou mais que a val√™ncia (nesse exemplo a intensidade), ou a expectativa.


Muito bem visto!!

Segundo a teoria de Vroom, falta acrescentar ali a expectativa e a instrumentalidade... Considero a import√Ęncia da instrumentalidade, mas no conjunto, acho que a expectativa √© mais influente durante o processo, porque de certa maneira √© a expectativa que vai condicionar a pr√≥pria instrumentalidade.
Mas no entanto, se formos bem a ver, qualquer das teorias motivacionais consegue ser relacionada com a regra, por muito diferentes que sejam as articula√ß√Ķes, acabam todas a defender praticamente o mesmo, com mais ou menos etapas explicativas do processo :D


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MensagemEnviado: segunda mai 28, 2012 8:36 pm 
Photographus Africanus
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Sim, sem expectativa, nem o pensamento arranca.
Aquilo que realmente me dá gozo, especialmente porque trabalho com sistemas de remuneração, é criar sistemas interessantes do ponto de vista da instrumentalidade. Daqueles que metem o pessoal a mexer.

Falando de sobreviv√™ncia, √© giro notar que apesar de n√£o haver pesquisa exaustiva, organizada, nesse √Ęmbito, os sobreviventes de situa√ß√Ķes complicadas s√£o por norma pessoas com locus de causalidade interno.

√Č a grande diferen√ßa entre as pessoas "a quem acontecem coisas" e as pessoas "que fazem as coisas acontecerem".

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MensagemEnviado: quarta mai 30, 2012 4:06 pm 
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!ndigo Escreveu:
a instrumentalidade das ac√ß√Ķes √© muitas vezes esquecida e tenho-a como determinante do comportamento


!ndigo Escreveu:
Falando de sobreviv√™ncia, √© giro notar que apesar de n√£o haver pesquisa exaustiva, organizada, nesse √Ęmbito, os sobreviventes de situa√ß√Ķes complicadas s√£o por norma pessoas com locus de causalidade interno.


A expectativa é fácil de perceber, a "instrumentalidade" não estou a perceber...podes exemplificar?

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"√Č defeito comum dos homens n√£o ter em conta a tempestade quando o mar est√° calmo"


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MensagemEnviado: quarta mai 30, 2012 7:09 pm 
O tipo dos bonecos
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instrumentalidade é quando partilhas uma imagem no facebook a gozar com o pingo doce.
és levado por motivos que te escapam a um primeiro olhar a fazer aquilo que é do maior interesse de quem te instrumentaliza, enquanto julgas que estás a ser original e com piada, quando no fundo não estas mais que a participar numa campanha viral.

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Pedro Alves / Toonman
Instrutor de bushcraft e técnicas de sobrevivência na Escola do Mato


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MensagemEnviado: quarta mai 30, 2012 7:34 pm 
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Johny Escreveu:
A expectativa é fácil de perceber, a "instrumentalidade" não estou a perceber...podes exemplificar?


Na perspectiva de Vroom, a instrumentalidade é a relação entre o desempenho e o resultado, ou seja, é a recompensa que julga poder vir a receber.


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