Bushcraft PT

Fórum de Bushcraft e Técnicas de Sobrevivência
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Os Hor√°rios s√£o TMG [ DST ]




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MensagemEnviado: domingo mai 31, 2015 11:26 am 
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Teo
Sim, a análise não incide apenas naquilo que se está a usar, mas na sua função, ou seja COMO obtenho algo. A forma como cozinhas algo, a forma como fazes o fogo, etc.

Cozinhar a lenha as plantas apanhadas no local é que tipifica o bushcraft, não são as latas e as penelas, fazer feather sticks é que tipifica o Bushcraft, não é a madeira ou faca que estás a usar.

H√° sempre alguma de subjetividade nisto, principalmente quando fazemos apenas um jogo de palavras sem visualizar a situa√ß√£o. Em concreto, na presen√ßa de todas as circunst√Ęncias, √© mais f√°cil fazer a distin√ß√£o do que deve ser ou n√£o considerado bushcraft.

Teo Escreveu:
(...) apenas que regras servem um propósito, limitar algo.
Sim o propósito é esse. Estabelecer limites para aquilo que deve ser considerado bushcraft
Regra, é algo que é usual ou habitual e que é comummente é aceite como principio regulamentador, um padrão comum.

‚ÄúSe a regra √© a desordem, pagar√°s por instituir a ordem‚ÄĚ. - Paul Val√©ry

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MensagemEnviado: domingo mai 31, 2015 12:17 pm 
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Numa atividade no mato, quanto mais alargado for a ação que queremos definir como bushcraft, menos ela será enquadrável a 100% no conceito de bushcraft.

PIR√āMIDE DO BUSHCRAFT
Na sua ess√™ncia (v√°lido para toda a pir√Ęmide) o bushcraft engloba todos os conhecimentos (saber), compet√™ncias (saber fazer) e atitudes (saber estar), que possibilitam uma viv√™ncia integrada na natureza, sustentada na utiliza√ß√£o dos seus recursos.

No topo da pir√Ęmide est√° o conceito, (quase ut√≥pico) do bushcraft total, ou seja, subsiste-se sem nada (nu), sustentado integralmente na recolha e utiliza√ß√£o daquilo que a natureza ali nos proporciona, sem o aux√≠lio de qualquer equipamento ou ferramenta.

No nível abaixo está o conceito "primitivo", ou seja, subsiste-se recriando o modo de vida primitivo, utilizando apenas artefactos artesanais (preferencialmente feitos pelo próprio), não se utilizando qualquer equipamento ou ferramenta moderna.

A seguir encontra-se o nível do conceito "minimalista", baseado no axioma, "leva o mínimo de equipamento e o máximo de conhecimento". São selecionados os itens prioritários para subsistir, na medida em que facilitam a recolha e transformação daquilo que a natureza ali nos proporciona, (faca, machado, cantil, panela, corda, kit de sobrevivência, etc.)

No n√≠vel mais baixo, encontra-se o conceito Bug-Out-Bag (BOB), para situa√ß√Ķes de emerg√™ncia, ou seja subsiste-se paramentado com uma s√©rie de equipamento hitech e utra-ligth criteriosamente escolhido. Neste n√≠vel a utiliza√ß√£o dos recursos da natureza √© reduzida.

Claro que podes estar atolado de equipamento e fazeres bushcraft, (desde que n√£o o utilizes), como podes fazer bushcraft na garagem, (para treinar).

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 10:14 am 
O tipo dos bonecos
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acho que concordamos que o oficio do mato requer uma série de conhecimentos que nos levam a prescindir de equipamento.
porque √© que n√£o acho que a pir√Ęmide funcione enquanto defini√ß√£o?
porque apesar de tudo somos homens modernos, com tecnologia e equipamento, e isso n√£o deve ser posto de parte.
nem o homem primitivo ia nu para o mato: transportava consigo equipamento, muitas vezes feito por outros, vivia em comunidade.
e esse modelo piramidal pode levar √† ideia de que o ideal a alcan√ßar √© o primitivismo rom√Ęntico.
quando o bom do bushcraft é que nos leva a considerar o equipamento actual, de modo a que ele seja um acrescento e não uma dependência.
existem imensas situa√ß√Ķes em que uma b√ļssola e um mapa s√£o do mais essencial (principalmente em territ√≥rios vastos e desconhecidos), e por mais que um tipo saiba orientar-se sem b√ļssola e mapa, ser√° um risco para a integridade f√≠sica n√£o os usar.
não é por acaso que o homem primitivo tinha uma esperança de vida tão baixa.

é preciso encontrar um equilíbrio entre o uso de conhecimentos do meio natural e o uso de tecnologia moderna, saber avaliar o seu impacto, local e global, e fazer as melhores escolhas.
é possível exercer um craft com equipamento moderno, porque vamos na mesma para o mato com um mínimo de equipamento e usamos recursos naturais. a diferença entre o bushcraft e o primitivismo é que entretanto tivemos milénios de desenvolvimento de tecnologia, que nos permitem construir um instrumento de corte bestialmente mais eficaz e duradouro que a lasca de silex, e vivemos mais tempo precisamente porque incorporámos essa tecnologia.
Podemos discutir as vantagens de usar uma faca de fábrica ou uma peça artesanal, reconhecer os custos de produção e transporte e o decorrente impacto ambiental e fazer uma escolha esclarecida.

Não acho portanto que deixe de haver algum grau de sabedoria no ofício quando se usa equipamento moderno.

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Pedro Alves / Toonman
Instrutor de bushcraft e técnicas de sobrevivência na Escola do Mato


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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 3:05 pm 
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toonman Escreveu:
apesar de tudo somos homens modernos, com tecnologia e equipamento, e isso n√£o deve ser posto de parte.
Porque n√£o?
toonman Escreveu:
esse modelo piramidal pode levar √† ideia de que o ideal a alcan√ßar √© o primitivismo rom√Ęntico.
A pir√Ęmide n√£o √© relativa ao ideal (cada um tem o seu) √© ao n√≠vel de dificuldade, pois temos que fazer tudo com os recursos naturais.
toonman Escreveu:
o bom do bushcraft é que nos leva a considerar o equipamento actual, de modo a que ele seja um acrescento e não uma dependência.
N√£o h√° bom ou nau no bushcraft, h√° estilos se calhar uns mais rom√Ęnticos que outros. Porque √© que a n√£o depend√™ncia de equipamentos modernos √© mau?
toonman Escreveu:
existem imensas situa√ß√Ķes em que uma b√ļssola e um mapa s√£o do mais essencial (principalmente em territ√≥rios vastos e desconhecidos), e por mais que um tipo saiba orientar-se sem b√ļssola e mapa, ser√° um risco para a integridade f√≠sica n√£o os usar.
não é por acaso que o homem primitivo tinha uma esperança de vida tão baixa.
N√£o vejo essa causa / efeito. N√£o √© o n√£o uso da b√ļssola que nos diminui a esperan√ßa de vida. A pr√°tica do bushcraft √© nos dias de hoje moment√Ęnea.
Uma atividade que use o bushcraft torna-se intrinsecamente humana. N√≥s evolu√≠mos dessa forma, (sem b√ļssola e outros apetrechos), fomos feitos nesse modo de vida. Haver√° coisa mais salutar?
toonman Escreveu:
é preciso encontrar um equilíbrio entre o uso de conhecimentos do meio natural e o uso de tecnologia moderna, saber avaliar o seu impacto, local e global, e fazer as melhores escolhas.
Pois, deixa cada um estabelecer o seu equil√≠brio, fazer as suas op√ß√Ķes. Isto n√£o tem que ser "chapa 5".
toonman Escreveu:
a diferença entre o bushcraft e o primitivismo é que entretanto tivemos milénios de desenvolvimento de tecnologia, que nos permitem construir um instrumento de corte bestialmente mais eficaz e duradouro que a lasca de silex, e vivemos mais tempo precisamente porque incorporámos essa tecnologia.
Até parece assim que quem não usa equipamentos modernos, não faz bushcraft?
toonman Escreveu:
Não acho portanto que deixe de haver algum grau de sabedoria no ofício quando se usa equipamento moderno.
Há um grau de dificuldade e uma sabedoria extra, pois, como no exemplo, tens que também saber fazer algo que corte.

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 3:53 pm 
O tipo dos bonecos
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Jan Escreveu:
Porque n√£o?

porque o avanço da tecnologia também faz parte de quem nós somos.
caso contrário não poderias fazer pontas de setas, que foi uma evolução tecnológica da talha lítica, e terias que te manter pelas lascas brutas. ou poderiamos ir mais atrás e ficar-nos pelos ossos.
afinal devemos usar conhecimentos e tecnologia ou não? se devemos, onde é que marcamos o limite? só é aceitável usar uma faca se todo o processo for feito em campo, da extracção do minério à têmpera? a forja no mato já é bushcraft?

a pir√Ęmide que defines tem apenas como distin√ß√£o o grau de tecnologia individual envolvido na execu√ß√£o, uma vez que concordo em absoluto com a tua defini√ß√£o da essencia.
a vantagem que a tecnologia nos traz é facilitar bestialmente as nossas necessidades básicas de sobrevivência. já não precisamos de gastar imenso tempo e energia a suprir os nossos recursos mais básicos, deixando tempo para explorar, criar e encontrarmo-nos.
muitas vezes esta tecnologia é um resultado de uma existência em comunidade e no principio da divisão de tarefas, por causa da complexidade envolvida e do tempo que demora a executar o objecto. ao não incluir a tecnologia só porque ela é o resultado do esforço comunitário, estás a deixar de fora uma parte importante da condição humana.

onde é que eu marco o limite do uso de tecnologia?
no equilíbrio entre a minha segurança física e a minha capacidade de usar recursos naturais.
sendo assim, a fronteira pode variar imenso, mas nunca chegar√° a entrar n√ļ no mato, por mais que eu domine o assunto, n√£o s√≥ porque me estarei a por em risco desnecessariamente (posso atingir os meus objectivos sem me por em perigo) mas tamb√©m porque n√£o tenho essa necessidade enquanto homem moderno.
o prescindir de tecnologias modernas não é um fim em si mesmo, e como tal não funciona para mim como definição de bushcraft.

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Pedro Alves / Toonman
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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 6:54 pm 
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Claro que o avanço da tecnológico faz parte da nossa evolução civilizacional, mas a evolução fisiológica é mais lenta, (ainda estamos fisicamente e mentalmente formatados como caçadores recolectores).
Em resultado dos avanços civilizacionais, perdemos os conhecimentos, as competências e as atitudes tão relevantes para o bushcraft, mas o nosso corpo continua com o registo emocional e físico para subsistir na natureza, daí o prazer da aventura , do esforço do desporto, dos aromas das flores, do carinho pelos animais, etc.
Para suprir tais necessidades, a "civilização" criou uma série de atividades substitutas, que têm apenas a sua razão de ser no acima dito, (como a necessidade de praticar desporto).

Na mesma linha de pensamento, encontra-se a raz√£o para usar as mestrias do bushcraft.
Eu adquiri o gosto de interagir com a natureza desta forma intrinsecamente humana. Pelo motivo acima exposto, tento recriar o modo de vida do ca√ßador recolector. Mas n√£o √© fazendo teatro, tipo vestir umas roupas de couro e ter uns canecos de madeira. √Č sim colocar-me naquele ambiente, numa situa√ß√£o id√™ntica, (f√≠sica e emocionalmente). Levo equipamentos modernos, mas a minha lista de itens √© a mesma do homem primitivo.
O cen√°rio n√£o √© o do artes√£o a fazer uma faca de pedra numa exposi√ß√£o qualquer. √Č o de estar num ambiente rec√īndito e in√≥spito, num jogo de desafio pessoal, de supera√ß√£o de imprevistos com improvisos, e sentir emo√ß√£o e prazer nisso.

Para mim o bushcraft funciona assim...

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Editado pela √ļltima vez por Jan em segunda jun 01, 2015 6:57 pm, num total de 1 vez.

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 6:56 pm 
Photographus Africanus
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Depois de 14 mesinhos em √Āfrica tenho-vos a dizer que a minha vis√£o do que √© esta coisa do bushcraft, sobreviv√™ncia e primitivismo estava, para mim pelo menos, muito, sen√£o toda errada.

toonman Escreveu:
muitas vezes esta tecnologia é um resultado de uma existência em comunidade e no principio da divisão de tarefas, por causa da complexidade envolvida e do tempo que demora a executar o objecto. ao não incluir a tecnologia só porque ela é o resultado do esforço comunitário, estás a deixar de fora uma parte importante da condição humana.

Os grupos humanos n√£o se organizam aqui na savana porque gostaram da vis√£o de Marx.
Os grupos humanos não se unem para fazer tarefas em conjunto para reduzir o tempo de execução.
Os grupos humanos n√£o se re√ļnem para partilhar os instrumentos de trabalho e optimizar o esfor√ßo colectivo.
Os grupos humanos n√£o se agrupam por raz√Ķes sociais ou culturais.

Os grupos humanos reunem-se trabalham em conjunto e fazem as coisas como fazem porque caso contr√°rio estavam bem lixados (com F mai√ļsculo).

Não vejo cá ninguém a pensar em impactos globais, aliás, o global é um conceito desconhecido, mesmo os povos nómadas vivem numa zona que para nós é uma "região", um "país", uma horita de avião.
Vive-se num micro cosmos tão pequeno (de recursos e tecnologia) que nunca se poderia ter um impacto que atingisse para lá do nosso alcance físico ou temporal.
E existe uma noção de reciprocidade/dependência da natureza muito, mas muito mais estreita, qual leave no trace qual quê...

Tive oportunidade √† alguns meses de falar com um grupo de mulheres mumuilas, que para mim s√£o s√≥ dos povos mais badass acima da Terra em termos de sobreviv√™ncia em climas e terrenos lixados e tenho-vos a dizer que depois de saber como √© que se atravessa mais de mil kms de terreno, com duas amigas, 3 crian√ßas e uma d√ļzia de cabe√ßas de gado, o bushcraft, primitivismo, prepperismo, campismo ou o que queiram chamar ao que fazemos a√≠, √© um desporto para meninos.
Lamento imenso e contra a própria visão que tinha falo, mas comparativamente, andamos a discutir o sexo dos anjos.

E porque é que estou tão convencido disto?

Estamos a discutir se cozinhar com lenha, hobo stove, fogão a álcool ou a gás é bushcraft porquê?
Simplesmente porque podemos.

Pegando na citação do Jan que parece mais consensual até agora temos:


Jan Escreveu:
O bushcraft n√£o √© uma atividade ou um oficio de inten√ß√Ķes a que nos entregamos de atacado.

São mestrias concretas, (umas mais fáceis outras mais difíceis), que se exercem (melhor ou pior) normalmente por opção, no mato.
Os ofícios do mato são apenas aqueles que se praticam de determinado modo e não todos os outros, mesmo que estes tenham o dito objetivo de entendimento da natureza, (eu gosto mais da expressão: interação com a natureza).

Foi por isso que eu, no quesito do que é bushcraft, coloquei uma condição sine qua non, que é: o "craft" utiliza um recurso natural existente no "bush" onde se está? (seja ele uma madeira, um fruto silvestre, uma pedra, a água duma ribeira, uma constelação, ...).


Ora, posto isto, quando pensamos num povo nómada como o que falei temos 2 abordagens possíveis:

1) Isto é o supra sumo do bushcraft, a independência total de tecnologias modernas e o dominio perfeito dos crafts do mato.
Assumindo esta visão, tendemos, não como condição de partida, mas como destino, para um primitivismo "informado". Neste caso temos como objectivo a cada vez menor dependência tecnológica.

2) A questão do craft é imaterial e refere-se apenas à condição de saber/conseguir aplicar os conhecimentos.
Nesta visão, potencialmente preguiçosa, estou a acender o fogão a gás com o firesteel, mas não deixa de ser bushcraft, porque "se fosse realmente preciso eu sabia fazer com madeira". Aliás, também sei fazer n outras coisas, mas trouxe estes 2 ou 3 gadgets que fazem porque assim sobra mais tempo para explorar, comungar com a natureza e fazer muito necessário soul searching no mato.

Posto isto tudo, começo a acreditar que a definição mais clara é a das "mestrias concretas".
Tenho pensado e n√£o me consigo decidir sobre a parte da op√ß√£o - n√≥s at√© podemos fazer fogo por fric√ß√£o, mas porque queremos, muito dificilmente isso nos surge como uma necessidade - assim sendo, estando n√≥s a falar de op√ß√£o, e porque muitas vezes estamos salvaguardados por 2 e 3 op√ß√Ķes alternativas para o que fazemos... n√£o ser√° tudo isto uma pr√°tica simulada? Um jogo? Uma brincadeira?

E por outro lado, é a vivência de uma tribo nómada "bushcraft"? Afinal, fazem-nos por necessidade (eventualmente decisão cultural), mas não deixa de ser A maneira como o fazem, sem grande espaço para alternativas, ou mesmo conhecimento delas.

E se o que a tribo faz é bushcraft... em que medida é que isso condiciona o que é a "nossa" definição de bushcraft?

(Sim, eu sei que tem mais perguntas que outra coisa, mas afinal, uma conclusão é um lugar onde se descansa quando se está cansado de pensar não é?)


EDIT: Entretanto o Jan postou, num sentido que me parece ir de encontro √†s minhas pr√≥prias quest√Ķes.

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 7:55 pm 
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!ndigo Escreveu:
Posto isto tudo, começo a acreditar que a definição mais clara é a das "mestrias concretas".
Tenho pensado e n√£o me consigo decidir sobre a parte da op√ß√£o - n√≥s at√© podemos fazer fogo por fric√ß√£o, mas porque queremos, muito dificilmente isso nos surge como uma necessidade - assim sendo, estando n√≥s a falar de op√ß√£o, e porque muitas vezes estamos salvaguardados por 2 e 3 op√ß√Ķes alternativas para o que fazemos... n√£o ser√° tudo isto uma pr√°tica simulada? Um jogo? Uma brincadeira?

√Č isso que tenho andado a defender aqui no f√≥rum e a incutir nas atividades que promovo.
Uma pr√°tica simulada, um jogo, em que as "mestrias concretas" sejam realizadas num ambiente de necessidade de facto.
Se temos alternativas, preguiçosamente optamos pela mais fácil e lá se vai o bushcraft.

As pessoas esquecem-se é que a satisfação da superação duma dificuldade, está na medida do esfoço que foi necessário fazer.

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 9:22 pm 
Photographus Africanus
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Jan Escreveu:
Se temos alternativas, preguiçosamente optamos pela mais fácil e lá se vai o bushcraft.

As pessoas esquecem-se é que a satisfação da superação duma dificuldade, está na medida do esfoço que foi necessário fazer.



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Quanto à questão, pertinente, da segurança... Acho que nem é preciso sairmos da zona de conforto. Conforme se vai ganhando experiência e conhecimento a zona de conforto simplesmente começa a alargar-se...

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MensagemEnviado: segunda jun 01, 2015 11:28 pm 
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Para quem esteve no "Perduro na Estrela" esta foto, é exemplificativa.

Em dia de chuva, houve os que cozinharam a lenha e os que cozinharam a g√°s.
Todos comeram, mas os que cozinharam a lenha foram os que n√£o tinham levado fogareiro.

N√£o levar fogareiro a g√°s era uma das regras indicativas da atividade. Alguns n√£o perceberam isso, levaram-o e obviamente usaram...

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MensagemEnviado: quarta jun 03, 2015 2:41 pm 
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√Č aquele tipo discuss√Ķes que para cada cabe√ßa cada senten√ßa. Todos n√≥s temos ideias, objectivos e motiva√ß√Ķes distintas para aqui andar.

Eu cá para mim gosto é de ir para o mato e fazer "cenas", se é ou não bushcraft, é-me irrelevante. Há uma pressão enorme, para tentar rotular determina actividade com uma ou outra definição.

Exemplo retórico, capacidade de fazer fogo/fogueira
1. Sei , independentes das condi√ß√Ķes atmosf√©ricas, como recolher e preparar todas os materiais (acendalhas, featherstick, etc) para poder fazer uma boa fogueira e no final em vez de usar "uns pauzinhos" cheguei-lhe fogo de um isqueiro/fosforo. Isto n√£o √© bushcraft?
2. Desde sempre, que o homem se faz acompanhar pelo melhor kit de fogo que disponível à época: os pré-históricos (que ainda hoje acontece com algumas tribos) faziam-se acompanhar do seu kit de fogo por fricção preferido, na idade média o silex fazia parte de qualquer kit de campo e no tempo da grande expansão americana, usavam os isqueiros de mecha de algodão. Porque que é que raio que não posso usar um isqueiro? Será contra natura?
3. Se fosse dada a oportunidade de um bosquímano ter um isqueiro em vez dos pauzinhos, será que ele não o aceitava e usava?

N√£o sou apologista de criar regras e defini√ß√Ķes estanques sobre o que √© ou n√£o √©.

Nunca sai de casa para ir "fazer" bushcraft embora já tenha saído de casa várias vezes para ir acampar,caminhadas, caminhadas em autonomia, fazer picnics etc e nelas realizem algumas tarefas que se podem enquadrar dentro do espírito "bushcraftiano"

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MensagemEnviado: quarta jun 03, 2015 4:08 pm 
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Apesar se o termo em si ser quase auto-explanatório eu só recentemente me familiarizei com o Bushcraft.

Tenho perfeita noção que os vossos conhecimentos são muito superiores e os meus são na sua grande parte teóricos.
Ainda ontem ( fiz o post sobre o assunto na Secção de trilhos, mapas e roteiros ) estive a ponderar ter que fazer uma pernoita não planeada no Gerês, devido a ter começado um trilho tarde, e depois, penso eu, que for falta de manutenção perder o trilho e ter que voltar para trás, e estava a perder a luz do dia rápido.
Se n√£o fosse a minha mulher toda preocupada, e quase a ir ao monte buscar-me com a colher de pau, eu teria pernoitado sem problemas.
Todo o conhecimento e o kit que tinha comigo davam-me a segurança para o fazer, já tinha o sitio escolhida com uma fonte à beira, bastante lenha seca disponível que muita dela nem precisava de ser processada e se fosse também tinha ferramentas para o fazer.
No entanto o abrigo ia fazer-lo com tarp, tipo um "lean to" mas aquele que fica um bocada de tarp a tapar o ch√£o, para o fogo tinha bolas de algod√£o embebidas em vaselina, tinha um firesteel, mas ia usar um isqueiro quase de certeza, tinha um cobertor de emerg√™ncia daqueles tipo mylar que ia usar ou para me cobrir ou para reflectir o calor, ainda tinha 2 pacotes de noodles e 4 sopas knorr. Comigo estava tamb√©m o meu c√£o Spike que me aporta muita seguran√ßa nessas situa√ß√Ķes.

Eu tenho uma ideia talvez muito rom√Ęntica do bushcrafteriano que s√≥ com a sua faca √© capaz de fazer tudo o que faz falta.
Na minha opinião, bushcraft tem muito a ver com a capacidade de improvisação, quando umas destas comodidades nos faltar, por exemplo se a pernoita tivesse sido planeada, muito provavelmente levaria o saco-cama e uma tenda.
Mas, se fazemos fogo com bolas de algod√£o, ou apartir do momento em que usamos um tarp e n√£o fazemos um abrigo com paus e folhas, deixa de ser bushcraft?


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MensagemEnviado: quarta jun 03, 2015 5:11 pm 
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jpgrilo Escreveu:
Nunca sai de casa para ir "fazer" bushcraft embora já tenha saído de casa várias vezes para ir acampar,caminhadas, caminhadas em autonomia, fazer picnics etc e nelas realizem algumas tarefas que se podem enquadrar dentro do espírito "bushcraftiano"

A press√£o que aqui fa√ßo √© exatamente condizente com esta √ļltima frase, pois n√£o sou apologista que o r√≥tulo de bushcraft seja atribu√≠do de atacado a esta ou aquela atividade, (apesar da tradi√ß√£o ou press√£o existente), mas apenas √† forma como se faz determinada tarefa, o que acima foi tipificado de ‚Äúmestria concreta‚ÄĚ.

Se relativamente aos exemplos que destes, experimenta fazer uma análise em concreto, é verás que é mais fácil opinar.
Porque na a√ß√£o de fazer uma fogueira, uma coisa √© os materiais que usas, outra √© a forma como os preparas, outra √© a forma como a acendes a fogueira, ‚Ķ umas a√ß√Ķes ser√£o bushcraft outras n√£o.
Quanto aos kit¬īs (ou seja aquilo que levamos), independentemente da sua idade tecnol√≥gica, a sua simples posse, para mim n√£o √© bushcraft. O contexto do seu uso √© que tipifica a coisa de bushcraft.
Claro que aqui a análise já é mais subjetiva. Não se trata de apreciar se é natural ou não, trata-se é de apreciar se o seu uso tem ou não o espírito do bushcraft. De qualquer forma, na minha opinião a apreciação vai decrescendo, com a idade tecnológica do processo / artificialismo da coisa.

jpgrilo Escreveu:
Se fosse dada a oportunidade de um bosquímano ter um isqueiro em vez dos pauzinhos, será que ele não o aceitava e usava?

Claro que aceitava. Mas quando estivesse a acender o fogo com ele, n√£o estava a aplicar o seu conhecimento ancestral de bushcraft.
(vai acender o fogo, mas não é a mesma coisa)

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Jan Escreveu:
Na minha opinião, bushcraft tem muito a ver com a capacidade de improvisação,

Tenho a mesma opini√£o.

Thoregh Escreveu:
Mas, se fazemos fogo com bolas de algod√£o, ou apartir do momento em que usamos um tarp e n√£o fazemos um abrigo com paus e folhas, deixa de ser bushcraft?

Se levamos as coisas de casa, onde está a improvisação?

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Se levamos as coisas de casa, onde está a improvisação?


Sim. Eu concordo consigo. Mas na minha opini√£o a improvisa√ß√£o dever√° ser uma necessidade e n√£o uma prioridade. As coisas que levamos de casa podem falhar ou romper e nessas situa√ß√Ķes n√£o teremos outro rem√©dio sen√£o improvisar e ser criativos. Aqui os conhecimentos de bushcraft s√£o fundamentais.

Tamb√©m h√° a pratica de bushcraft para efeitos recreativos, satisfa√ß√£o pessoal, refor√ßar conhecimentos etc... e a pratica de bushcraft por necessiadade de for√ßa maior. A√≠ talvez seja mais importante usar as coisas que possivelmente teremos levado de casa e seguir o caminho de menor resist√™ncia de forma a poupar a nossa energia. No entanto aquele que pratica bushcraft frequentemente ter√° sem d√ļvida uma vantagem muito grande numa situa√ß√£o em que realmente o conhecimento importa.


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